Universo Cinematográfico Marvel: Do pior ao melhor filme

O Universo Cinematográfico Marvel (MCU) já conta com 15 filmes e esse número chegará a 22 até 2019. Pouca gente imaginaria quando o primeiro Homem de Ferro estreou, em 2008, que todo esse universo seria construído, mas aqui estamos nós. Nesta lista eu coloquei os longas do pior para o melhor. E esta mesma lista será atualizada conforme o MCU for se expandindo. Concorda com essa lista? Não? Escreva nos comentários e faça sua própria lista para podermos debater.

16º Homem de Ferro 3 (2013)

Este é, de fato, o único filme abaixo da média do MCU. Na sua essência as únicas coisas que se salvam são suas sequências de ação, que são ótimas e bem executadas. A história é ruim, principalmente por colocar Tony Stark numa jornada de autoconhecimento ao lado de um garoto insuportável. O conceito de Mandarin ser um produto da propaganda e dos tempos modernos não me incomoda, mas o vilão de Guy Pearce é tão genérico e o ator o interpreta com tanta canastrice que tudo fica pior. Para finalizar o encerramento do longa é péssimo. Por que Tony Stark destrói todo os seus trajes? E por que o personagem não retirou os estilhaços que ameaçavam chegar ao seu coração logo no primeiro filme se o procedimento cirúrgico aparentemente sempre foi possível? Perguntas sem respostas para um filme dispensável.

15º O Incrível Hulk (2008)

Possivelmente este é o filme do MCU que as pessoas menos sabem que pertence ao MCU, talvez pelo fato de a sua estreia ter ocorrido sem grande campanha de marketing e o filme ter passado abaixo do radar da maioria dos espectadores. Edward Norton entrega um Bruce Banner com menos drama do que aquele do longa de 2003, mas ainda procurando um lugar na sociedade e, se possível, uma cura para seu estado. Liv Tyler consegue cumprir com eficiência o papel de interesse amoroso do protagonista e o vilão interpretado por Tim Roth, embora não seja original, garante boas sequências de luta contra Hulk. Há ainda uma enérgica sequência de ação que se passa nas favelas do Rio de Janeiro. Este O Incrível Hulk é funcional em todas os aspectos e não decepciona, mas não deve estar guardado no coração de nenhum fã do MCU. 

14º Thor (2011)

O principal problema deste Thor é o seu núcleo na Terra e a brusca mudança de personalidade pela qual o deus do trovão passa em poucos dias de banimento no nosso planeta. É um filme fácil de ser analisado. Todas as sequências que se passam em Asgard e Jotunheim são interessantes e, até aquele momento, novas, já que é a primeira vez que o espectador está sendo apresentado a aquele universo. Os efeitos especiais são competentes, a direção de arte inspirada e a fotografia agradável. Quando a narrativa se muda para a Terra tudo ganha um ar de comédia e a história se desenvolve com um fiapo de argumento. No geral o elenco tem química e garante bons momentos, principalmente Tom Hiddleston e o até então novato Chris Hemsworth. Thor teve sua importância na apresentação do universo mítico da Marvel, mas uma lapidada no roteiro teria garantido um longa mais homogêneo. 

13º Thor: O Mundo Sombrio (2013)

Há um visível salto de qualidade entre Thor e esta sua continuação. Há acertos visíveis como dar mais espaço para o que funcionou muito bem no filme original e deixar o núcleo da Terra para ter real importância apenas na segunda metade da narrativa. Loki ganha ainda mais espaço, Asgard é melhor explorada, as sequências de ação são mais originais e o elenco praticamente não tem novidades. Aqui o problema é o vilão extremamente genérico com um plano extremamente batido. Malekith tem meia dúzia de falas, Christopher Eccleston praticamente inexiste por baixo da maquiagem do vilão e a última coisa que o espectador se lembra ao sair da sala de cinema é que o filme teve um antagonista. Com certeza o pior vilão do MCU em um filme que merecia mais, já que o resto é bem executado.

 

12º Doutor Estranho (2016)

O melhor elenco de um filme solo de super-herói do MCU está neste Doutor Estranho. Somando-se a isto a história do neurocirurgião que precisa recorrer às artes místicas para encontrar sentido na sua vida ainda conta com uma trama simples, porém objetiva, efeitos especiais de primeira qualidade e uma direção de arte eficiente. Há alguns problemas durante a narrativa, como seu humor por vezes mal inserido e a subutilização da personagem de Rachel McAdams, mas Benedict Cumberbatch é tão carismático e competente que tudo parece funcionar quando estamos assistindo ao longa. O vilão interpretado por Mads Mikkelsen fica no limite entre o genérico e o funcional, mas o resultado final é satisfatório. Acima de tudo Doutor Estranho tem a função de apresentar um novo mundo e um novo super-herói ao grande público e nisso o filme é irretocável.

 

11º Guardiões da Galáxia Vol. 2 (2017)

Este era um filme carregado de expectativa, criada, principalmente, pelo sucesso estrondoso do primeiro longa. Mas o resultado final é consideravelmente inferior ao original, embora esta continuação não seja ruim, pelo contrário, é muito boa. Há dois problemas fundamentais que comprometem a narrativa. O primeiro é a divisão da equipe em dois grupos. Os Guardiões da Galáxia são como a turma do Chaves onde a interação entre seus integrantes é o que faz o todo funcionar. Separados este potencial é diminuído e fica aquém do primeiro longa. O segundo problema é a narrativa em si. O segundo ato tem um período em que nada acontece, dando a impressão que o filme não saiu do lugar. No restante o filme funciona bem. Ego é um vilão original com motivações genéricas, porém seu plano é executado com originalidade. Mantis é uma adição benéfica ao grupo e sua dinâmica com Drax é sensacional. Yondu apresenta o arco mais inesperado do filme. E, tecnicamente, o filme é perfeito, com uma direção de arte e uma fotografia belíssimas. A trilha sonora é eficaz, mas não tão memorável quanto a do filme de 2014. Em essência, Guardiões da Galáxia Vol. 2 é um filme muito bom, mas que tinha potencial para algo muito melhor.

10º Homem-Formiga (2015)

Talvez o filme mais redondo e eficiente no que se propõe do MCU. Basicamente um filme de assalto com super-herói. O elenco surpreende por trazer o comediante Paul Rudd como protagonista e o veterano Michael Douglas como mentor. Uma combinação inusitada, mas que funciona com excelência. Michael Peña rouba cada cena em que aparece e Evangeline Lilly mostra potencial para muito mais no futuro. O conceito e a utilização do traje de Homem-Formiga garantem ótimos momentos e o treinamento de Scott Lang mostra todo o potencial do personagem. O vilão é mais um genérico com motivações genéricas, mas ao menos tem espaço na trama para ser mais do que apenas um figurante na história que está sendo contada. É um filme eficiente, objetivo e bem dirigido que consegue agradar a todos.

 

9º Homem de Ferro (2008) 

O filme que começou tudo foi importante por dar todas diretrizes do que seria o MCU, desde o tom da história, passando pelos filmes integrados, cenas pós-créditos e chegando no desenvolvimento dos personagens que é mais importante que a ação em si. Robert Downey Jr. foi a escolha mais fisicamente acertada para viver Tony Stark, mas o que o ator conseguiu fazer com o personagem foi algo além das expectativas mais otimistas. O elenco de apoio também é gabaritado e confere credibilidade à história que está sendo contada. A narrativa em si é convencional, assim como suas sequências de ação, mas tudo funciona de maneira tão eficiente que o resultado final é um longa redondo e que deixa uma ótima sensação no espectador. É um filme que visto nos dias de hoje parece convencional demais, mas sua importância para a Marvel Studios é algo imensurável, o que só eleva o nível do feito que Robert Downey Jr. e Jon Favreau conseguiram realizar.

                                                  8º Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017) 

Finalmente temos um Peter Parker que de fato é um colegial, com idade de colegial, com problemas de colegial e uma rotina de colegial. Tom Holland possivelmente será a encarnação definitiva do Amigão da Vizinhança, embora os outros cinco longas que não pertencem ao MCU tenham suas qualidades e sua importância na consolidação do super-herói no imaginário coletivo. Tudo funciona neste De Volta ao Lar, desde o vilão com objetivos mundanos (enriquecer), passando pela dinâmica entre Peter e seus amigos do colégio e culminando nas eletrizantes sequências de ação. É bem verdade que fizeram de tudo para estragar a experiência do espectador ao revelarem muito da trama nos trailers, mas ainda havia surpresas guardadas. O Homem-Aranha de Holland é jovial, enérgico, ansioso, espirituoso e com um senso de justiça e uma bússola moral de um super-herói puro e com as melhores intenções. A química entre o elenco jovem funciona extremamente bem e o mesmo pode ser dito entre Holland e Robert Downey Jr. que, felizmente, tem suas aparições e sua importância na trama limitadas. Um filme divertido, que quebra alguns clichês dos filmes de high schools, que enaltece a importância de um super-herói no dia a dia das pessoas e que humaniza ainda mais um dos personagens mais humanos e falhos da Marvel. 

7º Capitão América: O Primeiro Vingador (2011) 

Não eram poucas as pessoas que não faziam ideia da existência ou da história do Capitão América. O que este filme consegue é estabelecer o líder dos Vingadores de maneira tão natural e tão bem realizada que parece que o personagem sempre fez parte do consciente coletivo. Há inúmeros acertos no longa, mas talvez o seu maior tenha sido contar uma história situada na Segunda Guerra Mundial, uma ambientação sempre favorável para este tipo de história. Os efeitos especiais que fazem Chris Evans ficar pequeno e franzino são irretocáveis, assim como a maquiagem do Caveira Vermelha. O elenco de apoio é de uma qualidade altíssima, com nomes como Tommy Lee Jones, Stanley Tucci, Hugo Weaving e Hayley Atwell. As sequências de ação são inventivas, dinâmicas e bem coreografadas e a trilha sonora consegue transmitir bem a sensação de aventura. Acima de tudo Chris Evans convence durante todo o filme, sendo a perfeita personificação do soldado resoluto e patriota, que segue ordens, mas tem uma agenda própria que segue seus princípios e valores.

6º Homem de Ferro 2 (2010)

O filme mais subestimado do MCU tem mais méritos que defeitos, mas mesmo assim boa parte da crítica parece enxergar apenas os seus defeitos. Robert Downey Jr. está ainda mais confortável no papel de protagonista e o personagem é ainda melhor desenvolvido nesta continuação, principalmente por algumas nuances suas serem apresentadas como o alcoolismo. As sequências de ação estão mais caprichadas em relação ao original e, finalmente, o Máquina de Combate é inserido no universo. Há a icônica sequência da armadura na maleta inserida numa sequência maior também eletrizante. Mickey Rourke faz o possível com um vilão imponente fisicamente, mas sem muita inspiração. Ao menos suas motivações são mais mundanas: vingança. A viagem de autoconhecimento e aceitação na qual Tony Stark mergulha humaniza o personagem e culmina numa das sequências mais emblemáticas do MCU: aquela na qual Tony assiste a um vídeo que seu pai gravou para ele muitos anos atrás. A troca de Terence Howard por Don Cheadle não passa despercebida pelo espectador, mas a troca é positiva já que Cheadle é mais carismático e parece se entregar mais ao papel. É um filme com três atos muito bem equilibrados, mantendo o nível sempre no alto e entregando tudo o que o espectador espera.

 

5º Vingadores – Era de Ultron (2015)

Vingadores – Era de Ultron consegue a difícil missão de dar um espaço quase igual em tempo e importância para seus dez personagens, ao mesmo tempo em que apresenta uma trama elaborada que passa por países diferentes junto com sequências de ação no mínimo sensacionais. Ultron consegue se diferenciar da maioria dos vilões do MCU ao ter uma personalidade bem desenvolvida, motivações originais e planos, no mínimo, inusitados. Mercúrio e Feiticeira Escarlate são apresentados de maneira satisfatória, assim como Visão que é criado primorosamente pela equipe de maquiagem e figurino do longa. Finalmente percebe-se que há algo por trás da maioria dos acontecimentos do MCU e o surgimento de quatro Joias do Infinito num curto intervalo de tempo desperta o interesse de Thor. Há algumas soluções fáceis para alguns problemas que surgem na narrativa que incomodam, mas não comprometem. Vingadores – Era de Ultron é puro entretenimento que pode ser resumido por uma única sequência: Hulkbuster contra Hulk.

4º Guardiões da Galáxia (2014)

O filme que estreou com menos expectativa do MCU também é um dos melhores. É incrível como um grupo de bandidos deslocados, quando juntos, consegue entregar um filme tão divertido e tão imprevisível quanto este. A narrativa é dinâmica, sempre apresentando novos ambientes e personagens. A trilha sonora é sensacional e é um personagem à parte no longa. Ronan é um vilão um pouco mais original que a maioria e é interessante ver como o personagem evolui com o decorrer da história. Os efeitos especiais criam Groot e Rocket com perfeição e em nenhum momento o espectador duvida que os dois são reais. A maquiagem e figurino fornecem uma pluralidade de seres extraterrestres que enriquece aquele universo. A história gira em torno de uma Joia do Infinito, mas na verdade o grande atrativo é a interação entre os cinco protagonistas que parecem sempre à beira de um colapso. É o filme mais espirituoso do MCU e com certeza o mais divertido, abrindo novas possibilidades que seriam ainda mais exploradas.

3º Os Vingadores (2012)

O maior sonho de qualquer fã do MCU demorou quatro anos para acontecer, mas conseguiu conquistar todo o espectador que o assistiu, sendo fã prévio ou não. Tudo funciona neste filme. O vilão não poderia ser melhor. Loki até os dias de hoje ainda é o melhor vilão do MCU, embora hoje em dia o personagem seja mais um anti-herói. A inserção de cada vingador ao grupo acontece de maneira natural e orgânica. mantendo a tradição de primeiro os super-heróis entrarem em conflito entre si e depois se unirem contra um inimigo comum. O fã vai a loucura quando o aeroporta-aviões da S.H.I.E.L.D. decola e a sequência de ação que se passa na nave é enérgica e agradável de assistir, colocando pela primeira vez os protagonistas em ação juntos. Gavião Arqueiro é relegado a segundo plano, algo que só seria corrigido em Vingadores – Era de Ultron (2015). A sequência de ação final é muito bem executada e, até aquele momento, parecia algo difícil de ser batida. E a grande surpresa do filme é o Hulk de Mark Ruffalo, o personagem menos visado do grupo, mas que rouba a cena cada vez que aparece.

2º Capitão América 2 – O Soldado Invernal (2014)

A grande adição ao MCU no decorrer dos anos se deu atrás das câmeras: os irmãos de diretores Anthony e Joe Russo. O que a dupla consegue fazer neste segundo longa do Capitão América é colocar um senso de urgência numa trama de espionagem recheada de ótimas e originais sequências de ação. É verdade que ter novamente a Hydra como vilã é algo repetitivo, mas a abrangência da organização e sua influência na atualidade é algo inesperado. Há ainda um ator consagrado, Robert Redford, como a mente do mal por trás de tudo e um carismático Anthony Mackie como o consagrado parceiro do Capitão América, Falcão. Mas é Sebastian Stan quem consegue roubar cada segundo de tela com seu perturbado, imprevisível e ameaçador Soldado Invernal. O longa possui um ritmo frenético, uma fluidez invejável e uma relevância temática totalmente contemporânea. Para finalizar, a química entre Chris Evans e Scarlett Johansson funciona e convence, fato importante, já que boa parte da narrativa é focada apenas na dupla. 

1º Capitão América – Guerra Civil (2016)

Difícil achar dentro dos filmes de super-heróis um longa mais redondo, fluído e cativante do que este terceiro filme do Capitão América. Os irmãos Russo conseguem entregar uma trama de alcance mundial envolvendo praticamente todos os personagens mostrados até agora e, pasmem, dando relativo destaque a todos eles. A cereja do bolo é a apresentação do Homem-Aranha do MCU, numa das aparições mais diretas e objetivas da história do cinema. A sequência do aeroporto alemão possivelmente é a maior e a mais bem elaborada e executada dos filmes de super-heróis e, pasmem novamente, não está no último ato do longa. E talvez o maior acerto do longa: seu terceiro ato intimista em que apenas o mais básico dos instintos está em jogo: o desejo de vingança de Tony Stark contra Steve Rogers. Capitão América – Guerra Civil é um primor de filme que ultrapassa o mundo dos super-heróis. É um ótimo filme, independente do subgênero em que está inserido.

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Derek Moraes

Cinéfilo de carteirinha. Nerd de plantão para preencher as mentes ávidas por informações e conhecimento. Especialista em transformar simples conversas em viagens a Hogwarts, Terra Média, Westeros e uma galáxia muito, muito distante.