Crítica – Terremoto: A Falha de San Andreas

[SEM SPOILERS]

Sinopse: Ray (Dwayne Johnson) é um veterano de guerra que trabalha como bombeiro em Los Angeles e que está passando por um processo de divórcio com a sua ex-mulher Emma (Carla Gugino), com quem tem uma filha, Blake (Alexandra Daddario). Enquanto Blake está em San Francisco com o padrasto empresário e bem sucedido Daniel (Ioan Gruffudd), a Falha de San Andreas começa a se manifestar, gerando terremotos em toda a Califórnia. Ray precisa ir para San Francisco resgatar sua filha, que se encontra em risco juntamente com os dois irmãos ingleses Ben (Johnstone-Burt) e Ollie (Art Parkinson). Enquanto isso, o sismologista Lawrence (Paul Giamatti) tenta alertar todo o país dos próximos tremores e suas consequências.

 


Depois que Roland Emmerich destruiu o mundo todo com o filme 2012 (2009), fica difícil a existência de um filme catástrofe que possa superá-lo levando-se em conta a escala de destruição. Pelo filme do diretor alemão, a Terra foi assolada por terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas, nuvens de detritos, etc. Dessa maneira, era curioso esperar o que Terremoto – A Falha de San Andreas fosse trazer de novo para o gênero.
 

A verdade é que o diretor Brad Peyton, que nunca dirigiu nada digno de lembrança, não tenta superar 2012. O diretor sabe de suas limitações geográficas e de escala. então ele acaba fazendo mais do mesmo. O terremoto assola a Califórnia e o visual da destruição não é nada original. Tudo que já foi mostrado anteriormente. A grande sacada do diretor é mostrar, além da visualmente atraente macro escala, o que acontece em micro escala. O que acontece dentro dos edifícios, das casas, das garagens e das construções em geral. O desespero e a impotência das pessoas diante da implacável força da natureza. Em contraste a 2012, onde tudo é macro (quarteirões sendo tragados pra dentro da terra, cidades afundando no mar, um tsunami atingindo o Tibet), San Andreas nos mostra o sofrimento das pessoas, o que aumenta o grau de tensão do espectador.

 

Como todo filme catástrofe padrão, os personagens do filme também seguem suas convenções. Existe o personagem herói com o drama pessoal e fantasmas do passado (vive para salvar as pessoas, mas quando era a filha que precisava de ajuda não teve sucesso), que sabe pilotar todos os meios de transporte possíveis, desde carros, passando por helicópteros, aviões e lanchas, além de ter treinamento em saltos de pára-quedas. Existe o personagem cientista que tem o conhecimento necessário para ajudar, mas que não é ouvido pelas autoridades competentes. Existe o personagem de moral duvidosa. Existe o possível casal que se uniu por acaso. E existe o alívio cômico que mostra ao espectador que nada é tão ruim que uma piada não possa ser inserida na vida.

 
O elenco é competente, com destaque para o sempre carismático Dwayne Johnson. Na sua primeira aparição ele surge contra o Sol e solta uma frase de efeito, estabelecendo que ele é o cara. E de fato Dwayne Johnson é o cara. É difícil achar um ator hoje em dia com tanto carisma, presença de tela e que trânsita por tantas franquias e personagens do que “The Rock”. Ele se encaixa tanto em personagens mitológicos (Hércules), como policiais (Velozes e Furiosos), “filmes para pagar as contas” (O Fada do Dente), anti-heróis (no vindouro Shazam), aventuras família (Viagem ao Centro da Terra 2) etc. A aura de poder de Dwayne Johnson é tão grande que ele acaba se tornando o centro das atenções na maioria dos filmes em que atua.
 

O resto do elenco faz o que pode para roubar o foco de Dwayne Johnson. Carla Gugino se esforça, mas seu rosto estático compromete sua atuação. Ioan Gruffudd é boicotado pelo roteiro, que precisa de um personagem para chamar de vilão. Paul Giamatti faz o cientista dedicado e ignorado, mas é competente ao passar ao espectador as informações que o mesmo precisa. O trio Alexandra Daddario, Hugo Johnstone-Burt e Art Parkinson é o que movimenta a história, já que é o seu resgate e seus esforços para sobreviver que fazem a roda girar. Com exceção das péssimas piadas do personagem de Parkinson, a química entre os três funciona, principalmente pela inteligência da personagem de Daddario, pela bondade do personagem de Burt e pelo otimismo do personagem de Parkinson.


Com efeitos especiais competentes, embora às vezes seja perceptível (o que nunca é bom) a utilização de chroma key, roteiro raso e clichê, mas elenco carismático, Terremoto – A Falha de San Andreas não consegue oferecer algo novo ao cinema catástrofe, mas entrega um filme digno de ser assistido. Seja no cinema ou depois, em casa.

Nota: 5,0

TRAILER


INFORMAÇÕES

Nota: 5,0
Titulo Original: San Andreas
Titulo Nacional: Terremoto – A Falha de San Andreas
Direção: Brad Peyton 
Duração: 114 Minutos 
Ano de Lançamento: 2015
Lançamento nos EUA: 29/05/2015
Lançamento no Brasil: 28/05/2015

Elenco: Dwayne Johnson, Carla Gugino, Alexandra Daddario, Paul Giamatti, Ioan Gruffudd, Hugo Johnstone-Burt, Art Parkinson.



Derek Moraes

Cinéfilo de carteirinha. Nerd de plantão para preencher as mentes ávidas por informações e conhecimento. Especialista em transformar simples conversas em viagens a Hogwarts, Terra Média, Westeros e uma galáxia muito, muito distante.