Crítica – Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones

[CONTÉM SPOILERS]

Sinopse: Um movimento separatista de diversos planetas, coordenado pelo Sith Conde Dooku (Christopher Lee), ameaça desestabilizar a República Galáctica. Para votar a criação de um exército da república para combater o movimento separatista, a agora senadora Padmé Amidala (Natalie Portman) vai a Coruscant. Um atentado contra a vida da senadora força o Supremo Chanceler Palpatine (Ian McDiarmid) a colocar dois cavaleiros jedi, Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) e Anakin Skywalker (Hayden Christensen), para protegê-la, o que dará início a uma série de eventos que colocará em cheque o domínio dos Jedi sobre a Força.

Após a recepção fria por parte da crítica e dos fãs mais fervorosos de Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma, George Lucas consegue corrigir boa parte de seus erros neste segundo longa. A história é mais interessante e relevante para a saga, o vilão principal é melhor desenvolvido e Jar Jar Binks é relegado quase ao esquecimento. Porém, o diretor continua mostrando sua deficiência na direção de atores limitados tecnicamente e, principalmente, não consegue dirigir sequências de relacionamentos amorosos de maneira eficiente e convincente. Ao escolher o então novato ator canadense Hayden Christensen para interpretar o personagem Anakin Skywalker em sua fase adulta, Lucas comete seu pior pecado na nova trilogia. 

A história deste Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones é impactante para a mitologia da saga espacial. Vemos que a República Galáctica está vendo seus últimos dias, a corrupção se instaurou no Senado Galáctico e o poder começa a se concentrar cada vez mais nas mãos de uma única pessoa, o Supremo Chanceler. Com o desenrolar da trama vemos que há um plano maior em movimento nos bastidores do poder há pelo menos dez anos, plano este invisível até para os jedi, o que culmina em uma das frases mais relevantes da saga, para mostrar ao espectador o tamanho do problema enfrentado, dita pelo mestre Jedi Mace Windu (Samuel L. Jackson): “Precisamos comunicar ao Senado Galáctico que nossa capacidade em utilizar a Força está diminuída.” Todo o conceito empregado na criação do exército clone é magnífico, criando soldados geneticamente iguais, sem vontade própria, treinados em combates e estratégias e aptos a agir nas mais diversas situações e locais da galáxia. Neste segundo longa da nova trilogia a política é deixada em segundo plano, sendo relevante na história apenas em momentos chave, como na sessão do Senado Galáctico em que a criação do exército da república é autorizada. O terceiro ato, onde vemos 200 cavaleiros jedi em ação, é um primor tanto técnico quanto narrativo, já que pela primeira vez em toda a saga vemos mais do que dois jedi em combate, evidenciando de uma vez por todas a importância deles como mantenedores da paz e da justiça na galáxia. 

Mais uma vez George Lucas impressiona pela sua capacidade em preencher a tela com lugares, seres alienígenas e sequências de encher os olhos. A perseguição de carros em Coruscant é enérgica, mostrando mais uma vez as habilidades como piloto de Anakin, e ao mesmo tempo caótica como o fluxo de veículos da capital da república. O planeta chuvoso Kamino é lindíssimo, com seu exterior dominado pela coloração azul, fazendo referência a própria água da chuva e aos mares que rodeiam as instalações, e o interior predominantemente branco, dando uma sensação de esterilidade relacionada a laboratórios, o que de fato é a maioria das instalações do planeta: laboratórios de clonagem. Geonosis e sua aridez ajudam a deixar o terceiro ato mais impactante visualmente, já que não há lugares para se esconder e tudo acontece em campo aberto. O Templo Jedi também é mostrado com mais detalhes, não se limitando à Sala do Conselho como no primeiro longa, mostrando o lugar como um ambiente funcional e de dimensões absurdas. Os seres de Kamino e Geonosis também são criações belíssimas da equipe do longa, colocando mais duas espécies ao portfólio de seres alienígenas da saga. Os efeitos especiais, embora estejam em excesso no filme, são perfeitos, com destaque para a fábrica de droides em Geonosis e toda a produção do terceiro ato, que envolve um embate entre quatro exércitos diferentes, passando por cenários diferentes. E toda a criação de planetas e seres alienígenas críveis também são méritos da equipe de efeitos especiais. A trilha sonora continua perfeita, com John Williams fazendo uso de todo o potencial que sua mais famosa criação possui. A sequência em que Anakin parte em um speeder atrás de sua mãe, cheio de fúria e raiva, e a belíssima Duel of the Fates suplanta todos os diálogos e sons é uma das mais bonitas e significativas de toda a saga.

 

O maior erro do longa reside no desenvolvimento do importante e fundamental romance entre Anakin e Padmé. Para começar o ator Hayden Christensen é limitado, não convencendo o espectador em nenhum momento sobre seu amor por Padmé. O ator se resume a fazer caras e bocas para demonstrar seus sentimentos, suas frustrações e suas ambições, mas nunca se faz parecer crível. Os seus diálogos com a personagem de Portman são ruins e as cenas que estão no longa para mostrar o desenvolvimento do amor entre os dois são constrangedoras de tão bregas. Méritos de um roteiro sofrível no que diz respeito ao romance do casal. 

Ewan McGregor está ótimo como Obi-Wan, seguro no papel e mostrando toda a sabedoria e habilidade que consagrou o personagem na trilogia clássica. Seu relacionamento com Anakin é bem pontuado e sua relação de pai e filho é estabelecida de forma tão precisa que cria angústia no espectador pelo conflito que está por vir entre os dois jedi. Hayden Christensen está sofrível como Anakin, assim como dito anteriormente, se salvando apenas nas cenas de luta, nas quais o ator mostra bastante boa vontade. Natalie Portaman está bem como Padmé, mas o roteiro boicota a atriz com diálogos ruins e as já citadas cenas de romance com o personagem de Christensen. Ao menos o roteiro é feliz em novamente retratar a personagem tão independente, voluntariosa e objetiva quanto sua futura filha. Christopher Lee está perfeito como Conde Dooku, trazendo toda a elegância e pose de um legítimo lorde inglês para um personagem que se faz valer destas características. Embora tenha sido substituído por dublê nas cenas de ação (o ator estava então com 80 anos), em todas as outras cenas em que o personagem aparece o ator tem tamanha presença de tela que o espectador teme pela vida dos personagens sem nem ao menos ter visto Dooku mostrar suas habilidades. Ian McDiarmid continua eficiente, porém ainda discreto, como o Supremo Chanceler Palpatine, mas o roteiro começa a mostrar algumas das suas manipulações políticas e a sua influência no Senado Galáctico, peças fundamentais para a concretização dos seus planos no próximo longa.

Com um duelo espetacular entre Yoda e Conde Dooku, em que o jedi mostra o porquê de ser o líder do conselho, e o estabelecimento do começo das Guerras Clônicas, que será mais explorada nas séries para a televisão, este segundo longa da nova trilogia prepara o terreno para o seu desfecho de maneira convincente, dinâmica, relevante e empolgante. Falha ao estabelecer o romance principal da saga, mas proporciona ao espectador sequências belíssimas e conceitos importantes que enriquecem ainda mais a mitologia de Star Wars.

NOTA: 8,0

 

INFORMAÇÕES
Título: Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones (Star Wars: Episode II – Attack of the Clones)
Direção: George Lucas
Duração: 142 Minutos 
Lançamento: 01/07/2002
Elenco: Ewan McGregor, Hayden Christensen, Natalie Portman, Christopher Lee e Ian McDiarmid. 
 

Derek Moraes

Cinéfilo de carteirinha. Nerd de plantão para preencher as mentes ávidas por informações e conhecimento. Especialista em transformar simples conversas em viagens a Hogwarts, Terra Média, Westeros e uma galáxia muito, muito distante.