Crítica – Mad Max: Estrada da Fúria

[SEM SPOILERS]

Sinopse: Num futuro pós-apocalíptico a água virou o bem mais precioso da humanidade, sendo elemento de barganha e guerras. Max Rockatansky (Tom Hardy) é um eremita assombrado pelo passado que vaga pela Terra sem grandes objetivos. Ao ser sequestrado e levado para a Cidadela controlada pelo tirano Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), Max se vê no meio de uma fuga orquestrada pela segunda em comando do lugar, Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), para salvar cinco jovens mulheres. Para resgatá-las, Immortan Joe coloca todo o seu exército de fanáticos religiosos, incluindo o voluntarioso Nux (Nicholas Hoult), em ação através do que restou do nosso planeta. 


A trilogia original de Mad Max foi responsável por apresentar e consolidar no imaginário coletivo o conceito de futuro pós-apocalíptico. Também foi responsável por catapultar a carreira daquele que seria um dos principais astros de Hollywood por vinte anos, Mel Gibson. Mad Max (1979), Mad Max 2 (1981) e Mad Max – Além da Cúpula do Trovão (1985) foram todos escritos e dirigidos pelo diretor australiano George Miller, criaram uma legião de fãs e marcaram época. Mel Gibson rapidamente se tornou um astros mais requisitados de Hollywood e o conceito de futuro pós-apocalíptico de George Miller foi adaptado e copiado inúmeras vezes. A trilogia original foi um sucesso de crítica e bilheteria, o que faria uma continuação ser uma questão de tempo. A produção de Mad Max 4, que posteriormente ganharia o nome de Mad Max – Estrada da Fúria, foi conturbada. A primeira questão era Mel Gibson, que após se envolver em escândalos na sua vida pessoal, como as acusações de agressões a sua ex-esposa e suas falas antissemitas, foi descartado da nova continuação. Os produtores achavam que a presença de Mel Gibson no novo filme poderia afastar o público. Escolhido o protagonista, Tom Hardy, e inciada as filmagens na Austrália, ocorre o imprevisível: após um período de grandes e atípicas tempestades no deserto australiano, o mesmo começa a apresentar o crescimento de vegetação. A opção foi levar as filmagens para a Namíbia. Com todos esses problemas, ainda há o boato que a relação entre Tom Hardy e Charlize Theron nos sets de filmagem não era a mais harmoniosa possível.

Mesmo com todos os problemas e após trinta anos, estreia nos cinemas Mad Max – Estrada da Fúria, a principal aposta para o verão americano da Warner Bros. E não há adjetivo melhor para descrever este novo filme do que sensacional. O novo Mad Max é a bagunça mais bem orquestrada dos últimos anos. George Miller, um diretor muito versátil que dirige desde animações como Happy Feet (2006) até filmes família como Babe – O Porquinho Atrapalhado (1995), consegue colocar uma energia neste filme que é algo surpreendente. Basta dizer que este filme é, praticamente, uma perseguição de carro do começo ao fim e, em nenhum momento, o espectador acha que é demais ou que as imagens e cenas de ação estão sendo repetitivas. Utilizando 99% de efeitos especiais práticos, Miller consegue deixar o espectador atento e apreensivo durante toda a projeção. Não há uma cena que não deveria estar na tela e nenhum personagem que não deveria existir (méritos também de um elenco enxuto e bem escolhido). Todas as cenas de ação de Mad Max – Estrada da Fúria são dignas de nota, elogios e aplausos, sendo praticamente impossível destacar uma ou outra. Mesmo assim, a sequência que se passa dentro da tempestade de areia, na transição do primeiro para o segundo ato, é de uma beleza única, merecendo créditos também a equipe de fotografia do longa. Há vários momentos que poderiam se transformar em quadros, de tão bem fotografados que são, merecendo destaque aquele em que a personagem de Charlize Theron cai de joelhos na areia e solta um grito de tristeza. E o fato de não ouvirmos o grito da personagem só torna a cena ainda mais memorável.

O longa é eficiente ao mostrar como a sociedade funciona naquela realidade. Sendo adeptos de uma religião que mistura a adoração aos automóveis com a religião nórdica e muitas outras referências, o exército de Immortan Joe é composto por jovens do sexo masculino que se arriscam e se sacrificam com o intuito de realizarem ações que serão lembradas “pela eternidade”. A população civil é mostrada através de uma maquiagem que ressalta o sofrimento, a tristeza e as marcas de exposição ao sol. As únicas personagens que tem a sua beleza ressaltada são as cinco jovens mulheres que são o motivo de toda a disputa do filme. Vestidas de branco, ressaltando o ar virginal, e com cabelos e pele bem cuidadas, as cinco personagens tornam plausíveis todo o esforço que o tirano emprega para resgatá-las.

O elenco é perfeitamente escolhido e, ao contrário do que inicialmente pode parecer, a protagonista do filme é a personagem de Charlize Theron. É a Imperatriz Furiosa que movimenta a história e que carrega mais sofrimento, angústia e dor, mas ao mesmo tempo possui uma esperança que a faz tomar atitudes drásticas. Charlize Theron, que abdica de qualquer vaidade ao rodar toda o longa careca e sem maquiagem, rouba o filme de ponta a ponta. Ela atrai o público, capta a atenção do espectador e cria uma das personagens femininas mais marcantes da história do cinema. Tom Hardy não passa vergonha. O ator inglês tem presença de tela, porte físico e carisma para se fazer presente. Embora possua pouquíssimas falas, são suas atitudes e ações que fazem o espectador temer pelo destino dos vilões. E uma escolha acertada do roteiro é não mostrar que o personagem sofre com o seu passado, o que causaria uma quebra de ritmo do longa. Embora saibamos pelo olhar profundo e pela introspecção que Max tem muito o que falar e pelo o que sofrer, isso não é mostrado no filme. Nicholas Hoult possui o arco mais completo do longa. Passando de fanático religioso, a questionador do andamento da sociedade e terminando como rebelde, Nux é carismático e questionador, fazendo com que o espectador se importe com o seu destino. O personagem de Hugh Keays-Byrne, que é o único ator que também participou da trilogia original, é o menos desenvolvido, se resumindo a berrar ordens para o seu exército motorizado. De qualquer maneira, a concepção do visual de Immortan Joe é incrível e perturbadora.

Visualmente arrebatador, conceitualmente fantástico e muitas vezes desafiando a lógica normal de tudo nas suas cenas de ação (destaque para o carro que possui um soldado tocando uma guitarra que jorra fogo), Mad Max – Estrada da Fúria é um marco no cinema moderno. Um filme que possui tanta energia e dinâmica não é fácil de ser concebido, mas é de encher os olhos. George Miller possui argumento para mais duas continuações. Se tudo der certo, teremos mais Mad Max no cinema. E se forem do mesmo nível que este novo longa, filmes mais sensacionais ainda estão vindo por aí.

Nota: 10

TRAILER


INFORMAÇÕES

Nota: 10
Titulo Original: Mad Max – Estrada da Fúria
Titulo Nacional: Mad Max – Fury Road
Direção: George Miller
Duração: 120 Minutos 
Ano de Lançamento: 2015
Lançamento nos EUA: 15/05/2015
Lançamento no Brasil: 14/05/2015

Elenco: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne




Derek Moraes

Cinéfilo de carteirinha. Nerd de plantão para preencher as mentes ávidas por informações e conhecimento. Especialista em transformar simples conversas em viagens a Hogwarts, Terra Média, Westeros e uma galáxia muito, muito distante.