Crítica – Shingeki no Kyojin (Attack on Titan): 1ª Temporada

[SEM SPOILERS]

Fazia tempo que um anime não captava tanto minha atenção como Attack on Titan (AoT) fez da primeira vez que o vi. A combinação de uma história envolvente, personagens carismáticos, técnica de animação primorosa e criação de clima perfeito fez com que eu tivesse a certeza que o anime havia marcado minha memória afetiva.

O principal fator que de cara impressiona em AoT é a escala da história. Somos apresentados ao que restou da humanidade que vive atrás de altas muralhas, formando uma espécie de último reduto do homem. Logo sabemos que em um momento específico da história humana os Titãs apareceram e começaram a nos devorar e, para piorar, fazem isso apenas por prazer, já que não morrem uma vez que não se alimentam mais de nós. Obviamente que os Titãs são monumentalmente grandes e a humanidade, a princípio, não consegue lutar em pé de igualdade com os invasores. Esse panorama de desesperança cria uma imediata imersão do espectador. Quem assiste sente por cada homem ou mulher que é devorado pelos Titãs. Cada perda humana que acontece no anime afeta o espectador justamente por sabermos que somos tão poucos e tão impotentes contra os invasores. O clima de desesperança permeia pelo menos até a metade da temporada e quem assiste parece sentir o pessimismo no qual aquele universo está imerso. Poucas vezes eu vi, em qualquer mídia que fosse, a humanidade tão no seu limite. É algo contagiante e relevante para a história que está sendo contada.

A estrutura na qual a temporada foi desenhada também ajuda na imersão do espectador. Metade do tempo se baseia no treinamento dos recrutas e na defesa da cidade de Trost. A outra metade nos esforços da Tropa de Exploração para tentar alcançar a cidade de Shiganshina que atualmente está tomada pelos Titãs. Temos o que é o consagrado arco do herói que é apresentado ao seu futuro através de uma tragédia, inicia seu treinamento, evolui suas habilidades e é colocado à prova através de novos acontecimentos. Nesse meio o personagem faz amigos, surgem alguns antagonistas que não são necessariamente maus, apenas possuem princípios e pensamentos que conflitam com os do herói. Mas o dinamismo do roteiro garante que pouco tempo seja gasto com momentos que não sejam no mínimo eletrizantes. O conflito geral de humanos contra Titãs toma conta de boa parte do que é mostrado ao longo dos 25 episódios desta primeira temporada.

Talvez o principal atrativo visual do anime sejam os Dispositivos de Manobra Tridimensional que são os equipamentos utilizados para fazer com que a humanidade atinja o único ponto fraco dos Titãs ao mesmo tempo em que consegue fugir deles. Neste momento a qualidade da técnica de animação de AoT dá um salto. Em todas as sequências em que os equipamentos estão sendo utilizados o anime salta aos olhos. Fica evidente que nestas sequências é utilizada uma mistura de animação tradicional com animação tridimensional, garantindo uma fluidez de movimento dos personagens e suas interações com o ambiente que praticamente o espectador se sente feliz apenas por estar apreciando o que o anime está apresentando.

A interação entre os personagens é outro atrativo do anime. O trio principal formado por Eren, Mikasa e Armin consegue conduzir bem a história e o contraste entre suas personalidades gera conflitos agradáveis de acompanhar. Conforme a narrativa avança e mais recrutas se juntam ao trio principal mais rica se torna a história apresentada, já que cada um possui características que são exploradas satisfatoriamente. Se Jean inicialmente quer apenas entrar para a Polícia Militar para garantir uma vida de relativo conforto, Sasha está lá apenas para se tornar um soldado e comer melhor do que um civil e Eren quer vingança contra os Titãs. É interessante acompanhar como a prioridade de cada um muda conforme os episódios passam, assim como suas atitudes. A riqueza dos personagens e suas interações atingem o ápice quando a Tropa de Exploração entra em cena e seus valores e sacrifícios se mostram diferentes de tudo o que os protagonistas viram até ali.

Embora a primeira temporada do anime seja quase perfeita, há alguns pequenos problemas que, se não comprometem a qualidade final, deixam a sensação que poderia ser melhor. Há o fato de que toda a narrativa é focada no setor militar da humanidade. Em nenhum momento é mostrado como a sociedade civil vive e quais seus pensamentos sobre o que está acontecendo à sua volta. Ficamos apenas com a visão dos militares e seus esforços para derrotar os Titãs. Também incomoda o fato da comunicação entre os personagens ser na base dos gritos. Muitas vezes a gritaria é necessária, já que os personagens se encontram no meio de batalhas, mas outras vezes a gritaria é gratuita, chegando a incomodar.

AoT é um dos animes mais interessantes e empolgantes dos últimos anos. Deixa uma expectativa enorme para a segunda temporada. A sequência no final dos créditos deixa várias perguntas e possibilidades abertas.

NOTA: 9,0

 

INFORMAÇÕES
Título: Attack on Titan (Shingeki no Kyojin)
Temporada: Primeira
Episódios: 25
Duração: 22 Minutos
Gênero: Ação, Aventura, Suspense

Compartilhe este post:

Derek Moraes

Cinéfilo de carteirinha. Nerd de plantão para preencher as mentes ávidas por informações e conhecimento. Especialista em transformar simples conversas em viagens a Hogwarts, Terra Média, Westeros e uma galáxia muito, muito distante.