Crítica – Kabaneri of the Iron Fortress: 1ª Temporada

[SEM SPOILERS]

Na onda do que foi o fenômeno Attack on Titan em 2013 era mais do que esperado que outros animes com a mesma temática surgissem. É o caso de Kabaneri of the Iron Fortress (KotIF), um anime cuja história também se localiza em um passado pós-apocalíptico onde a humanidade vive sob a ameaça dos Kabanes, seres humanos contaminados com vírus que os transforma em mortos-vivos. Para sobreviver, o que restou da humanidade vive em cidades cercadas por altos muros e o trânsito entre elas acontece através de trens chamados hayajiros. Notou a semelhança com a história de Eren, Mikasa e os Titãs? Mas KotIF não é uma cópia de AoT. O anime possui suas qualidades que, se não o fazem um fenômeno como AoT, pelo menos o fazem se destacar na crescente oferta de animes que temos atualmente. A primeira temporada de KotIF possui 12 episódios e foi lançada em 2016. Possui um arco definido que contempla a busca dos sobreviventes de uma cidade invadida pelos Kabanes pela cidade mais protegida do reino. Enquanto a busca ocorre, o limite entre o que é ser um Kabane e o que é ser um humano se estreita e novas revelações acontecem.

O personagem principal é Ikoma, um ferreiro que está desenvolvendo uma arma mais eficaz na luta contra os Kabanes. Boa parte da história também é focada em Mumei, uma misteriosa garota que chega à cidade e possui incríveis habilidades no combate contra os mortos-vivos. O restante dos personagens que possuem destaque formam os sobreviventes do ataque Kabane à Estação Aragani. que fogem a bordo do hayajiro Kotetsujo para a cidade Kongokaku. Cada personagem possui uma função na comitiva e fazem a narrativa avançar a partir de suas interações. E é nesse quesito que KotIF tem seus maiores méritos. Como cada personagem vêm de uma classe social diferente e possui uma função específica na sociedade, o choque de valores e ideais enriquece a história. Enquanto a princesa quer apenas levar seus súditos para um lugar mais seguro, Ikoma quer vingar sua irmã, o chefe dos samurais quer proteger a princesa e Mumei quer matar o máximo de Kabanes possível. A dinâmica gerada pelos personagens agrada a quem assiste e cria a sensação de uma sociedade complexa e heterogênea.

O baixo número de episódios não deixa espaço para muita perca de tempo. Tudo acontece de maneira frenética e os problemas apresentados prontamente são resolvidos, mas sempre com altos custos humanos para os personagens. Ao mesmo tempo falta aquela sensação de desespero e urgência que AoT consegue transmitir de maneira tão eficaz. Em nenhum momento o espectador sente que as ações de Ikoma e Mumei são essenciais para a sobrevivência da humanidade. Se em AoT a defesa de Trost, apresentada durante nove episódios, era vital para que os Titãs não invadissem a Muralha Rose e dessem um passo a frente no caminho para a destruição dos seres humanos, em KotIF parece que o que acontece com os protagonistas não tem importância no contexto geral daquele mundo. Não sabemos se há mais cidades do que aquelas citadas, se a humanidade foi reduzida a um pequeno número, se conseguimos enfrentar em condições de igualdade os Kabanes, etc.

A mistura de tecnologias também remete a AoT. Não há nada como os Dispositivos de Manobras Tridimensionais aqui, mas fica a impressão que aquele mundo parou de progredir em algum momento após a Revolução Industrial. Temos o contraste entre uma locomotiva movida a vapor que transporta seis vagões, armas que funcionam a gás e samurais que ainda utilizam suas espadas.

A violência possui uma escala modesta, porém o espectador não é poupado de sangue ou partes decepadas. O vilão desta primeira temporada é o grande ponto fraco deste arco do anime. Embora suas motivações sejam justificadas, o personagem só é apresentado na segunda metade da temporada e, antes disso, praticamente não sabemos de sua existência. Quando o espectador se dá conta de que teremos um vilão no anime o impacto é diferente do normal. Se desde o começo ficasse subentendido que havia algo maior por trás dos acontecimentos apresentados o espectador ficaria curioso e ansioso para saber mais sobre aquilo. Mas quando finalmente o subarco do vilão é apresentado a sensação é de que aquilo não é necessário para fazer a história andar. Os Kabanes já são uma ameaça de respeito para tornar a história interessante e o espectador temer pelas vidas dos protagonistas.

Kabaneri of the Iron Fortress consegue criar uma trama e personagens que captam a atenção do espectador. Há elementos do universo apresentado que poderiam ser melhor explorados e talvez sejam nas próximas temporadas. Um dos principais problemas deste primeiro arco é a falta de um clima de desespero, de impotência e de urgência que faria com que a pessoa que o assistisse ficasse tão imersa naquele mundo que criasse um vínculo personagem-espectador imediato e duradouro.

NOTA: 7,0

 

 

INFORMAÇÕES
Título: Kabaneri of the Iron Fortress (Kōtetsujō no Kabaneri)
Temporada: Primeira
Episódios: 12
Duração: 22 Minutos
Gênero: Ação, Aventura, Suspense

Compartilhe este post:

Derek Moraes

Cinéfilo de carteirinha. Nerd de plantão para preencher as mentes ávidas por informações e conhecimento. Especialista em transformar simples conversas em viagens a Hogwarts, Terra Média, Westeros e uma galáxia muito, muito distante.